Fazia tempo que não postava. Somente uma novidade dessas pra me fazer voltar a ativa. O governo federal deve encaminhar nos próximos dias, duas medidas provisórias (que mais tarde se converterão em Lei), aumentando os salários de uma série de carreiras do Poder Executivo, consideradas “tíipicas de estado”. Os valores oscilam entre 18 e 19 mil reais iniciais.
Esse assunto é extenso, complexo e cansativo. Um post abrangente e completo sobre esse assunto seria muito chato, e eu correria o risco de distrair e dividir muitas opiniões em filigramas inúteis e secundários, para alegria de nossos algozes. Pulemos as partes chatas, e vamos aos fatos e a algumas perguntas e opiniões. O efeito na cabeça do leitor inteligente será praticamente o mesmo.
Nosso país é um país em desenvolvimento, com índices de desenvolvimento humano subsaarianos em determinadas regiões, população pobre, com um déficit educacional secular astronômico e com uma gigantesca carência por investimentos em infra estrutura. Precisamos de transportes urbanos, estradas melhores, ferrovias, malha aérea moderna, portos, controle de fronteiras, forças armadas decentemente equipadas, segurança urbana, ordenamento urbano (ruas asfaltadas, amplas, bairros bem planejados, com calçadas, postes, pontos de ônibus, estacionamentos, etc), reforma agrária, desenvolvimento tecnológico, escolas de qualidade, sistemas eficientes de gestão pública, creches, alimentos nutritivos a preços baixos, hospitais decentes, para dizer o mínimo. Isso é o que me parece ser o mais urgente.
Um médico de hospital público ganha uma mixaria, e não será contemplado em nenhuma das MP’s. Um professor de escola pública recebe uma remuneração humilhante, e também não foi agraciado com reajuste (no caso deles, quase não conseguiram obter o piso de 950 reais recentemente). Os profissionais que constroem e projetam portos, rodovias e aeroportos, ou pertencem à iniciativa privada, e realizam os serviços por terceirização, ou recebem salários ridículos em órgãos sucateados da administração.
Quem ganha bem nesse país ? O Poder Judiciário ( O Brasil precisa, prioritáriamente, de mais judiciário ?) o Legislativo ( O Brasil precisa de mais ou de menos legislativo ? ) ou categorias como Diplomatas e Analistas de Comércio Exterior, Auditores da Receita (O Brasil precisa, prioritariamente, de auditores e diplomatas mais bem pagos, ou de mais auditores e mais diplomatas ?). E é justamente esse pessoal que agora pressiona para ganhar um salário ainda melhor.
Em economia existe um conceito básico chamado “custo de oportunidade”. Em linhas gerais significa o seguinte: Você tem dois reais. Uma maça custa dois reais. Uma laranja custa dois reais. Se você comprar uma maça, não poderá comprar também uma laranja, e vice-versa. O custo de oportunidade ao comprar uma laranja, é uma maça, pois os recursos são escassos, apenas dois reais. Transferindo o exemplo para o nosso caso, o custo de oportunidade de aumentar salários para funcionários públicos em setores não prioritários para o país no momento, e que já recebem uma remuneração muito boa, nos custa abdicar de nossas prioridades. Forças políticas poderosas atuam para fazer parecer o contrário, ou para não parecer importante esse tipo de escolha de como gastar os recursos, porque são exatamente elas as beneficiadas.
O fato é que atualmente, o serviço público brasileiro, além de não atender as necessidades da população, e, via de regra, prestar PÉSSIMOS serviços, custa à sociedade uma fortuna. Constitui, por sí só, uma classe auto-referida, que tem uma visão distorcida da realidade brasileira (especialmente os que residem em Brasília), e que visa tão somente aumentar os próprios benefícios numa corrida insana de ganância para ver quem estoura mais os cofres públicos com seus orçamentos gigantescos e privilégios travestidos com palavras doces como conquistas e direitos.
Depois dos juros e da previdência, o gasto com pessoal é o que mais pesa no orçamento público. Dessa forma é imprescindível para o país saber administrar suas despesas com pessoal, se quiser que sobre dinheiro para fazer o que realmente interessa. Esse país não é formado de servidores públicos. A esmagadora maioria trabalha na iniciativa privada e espera ansiosamente por serviços decentes em retribuição aos impostos extorsivos.
Definir prioridades e estabelecer metas e estratégias nunca foi o forte do estado brasileiro, salvo exceções vergonhosas. Enquanto isso for verdade, continuaremos sendo um país atrasado, injusto e caótico, sem perspectiva de dias realmente melhores para a sua maioria. Já para alguns poucos, certamente, dias melhores virão, com as novas MP’s.
Voltarei a falar desse assunto






