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Aumento dos Servidores Públicos – Supersalários do Executivo

8 Agosto, 2008

Fazia tempo que não postava. Somente uma novidade dessas pra me fazer voltar a ativa. O governo federal deve encaminhar nos próximos dias, duas medidas provisórias (que mais tarde se converterão em Lei), aumentando os salários de uma série de carreiras do Poder Executivo, consideradas “tíipicas de estado”. Os valores oscilam entre 18 e 19 mil reais iniciais.

Esse assunto é extenso, complexo e cansativo. Um post abrangente e completo sobre esse assunto seria muito chato, e eu correria o risco de distrair e dividir muitas opiniões em filigramas inúteis e secundários, para alegria de nossos algozes. Pulemos as partes chatas, e vamos aos fatos e a algumas perguntas e opiniões. O efeito na cabeça do leitor inteligente será praticamente o mesmo.

Nosso país é um país em desenvolvimento, com índices de desenvolvimento humano subsaarianos em determinadas regiões, população pobre, com um déficit educacional secular astronômico e com uma gigantesca carência por investimentos em infra estrutura. Precisamos de transportes urbanos, estradas melhores, ferrovias, malha aérea moderna, portos, controle de fronteiras, forças armadas decentemente equipadas, segurança urbana, ordenamento urbano (ruas asfaltadas, amplas, bairros bem planejados, com calçadas, postes, pontos de ônibus, estacionamentos, etc), reforma agrária, desenvolvimento tecnológico, escolas de qualidade, sistemas eficientes de gestão pública, creches, alimentos nutritivos a preços baixos, hospitais decentes, para dizer o mínimo. Isso é o que me parece ser o mais urgente.

Um médico de hospital público ganha uma mixaria, e não será contemplado em nenhuma das MP’s. Um professor de escola pública recebe uma remuneração humilhante, e também não foi agraciado com reajuste (no caso deles, quase não conseguiram obter o piso de 950 reais recentemente). Os profissionais que constroem e projetam portos, rodovias e aeroportos, ou pertencem à iniciativa privada, e realizam os serviços por terceirização, ou recebem salários ridículos em órgãos sucateados da administração.

Quem ganha bem nesse país ? O Poder Judiciário ( O Brasil precisa, prioritáriamente, de mais judiciário ?) o Legislativo ( O Brasil precisa de mais ou de menos legislativo ? ) ou categorias como Diplomatas e Analistas de Comércio Exterior, Auditores da Receita (O Brasil precisa, prioritariamente, de auditores e diplomatas mais bem pagos, ou de mais auditores e mais diplomatas ?). E é justamente esse pessoal que agora pressiona para ganhar um salário ainda melhor.

Em economia existe um conceito básico chamado “custo de oportunidade”. Em linhas gerais significa o seguinte: Você tem dois reais. Uma maça custa dois reais. Uma laranja custa dois reais. Se você comprar uma maça, não poderá comprar também uma laranja, e vice-versa. O custo de oportunidade ao comprar uma laranja, é uma maça, pois os recursos são escassos, apenas dois reais. Transferindo o exemplo para o nosso caso, o custo de oportunidade de aumentar salários para funcionários públicos em setores não prioritários para o país no momento, e que já recebem uma remuneração muito boa, nos custa abdicar de nossas prioridades. Forças políticas poderosas atuam para fazer parecer o contrário, ou para não parecer importante esse tipo de escolha de como gastar os recursos, porque são exatamente elas as beneficiadas.

O fato é que atualmente, o serviço público brasileiro, além de não atender as necessidades da população, e, via de regra, prestar PÉSSIMOS serviços, custa à sociedade uma fortuna. Constitui, por sí só, uma classe auto-referida, que tem uma visão distorcida da realidade brasileira (especialmente os que residem em Brasília), e que visa tão somente aumentar os próprios benefícios numa corrida insana de ganância para ver quem estoura mais os cofres públicos com seus orçamentos gigantescos e privilégios travestidos com palavras doces como conquistas e direitos.

Depois dos juros e da previdência, o gasto com pessoal é o que mais pesa no orçamento público. Dessa forma é imprescindível para o país saber administrar suas despesas com pessoal, se quiser que sobre dinheiro para fazer o que realmente interessa. Esse país não é formado de servidores públicos. A esmagadora maioria trabalha na iniciativa privada e espera ansiosamente por serviços decentes em retribuição aos impostos extorsivos.

Definir prioridades e estabelecer metas e estratégias nunca foi o forte do estado brasileiro, salvo exceções vergonhosas. Enquanto isso for verdade, continuaremos sendo um país atrasado, injusto e caótico, sem perspectiva de dias realmente melhores para a sua maioria. Já para alguns poucos, certamente, dias melhores virão, com as novas MP’s.

Voltarei a falar desse assunto

IBGE- Países – Base de Dados

12 Abril, 2008

Site interessante feito pelo IBGE. Tem um banco de dados com informações sobre demografia, economia, fotos, mapas e estatísticas sociais dos países, em português e com uma interface legal.

Devaneio do dia: A tecnologia faz com o trabalho intelectual hoje em dia, a mesma coisa que fez com o trabalho físico na Revolução Industrial.

26 Março, 2008


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No séc. XVIII, com o desenvolvimento da indústria na Europa, os trabalhadores se viam ameaçados em seus empregos por máquinas que substituíam a força de centenas de homens. O custo do trabalho braçal sofreu uma queda expressiva, os artesãos viram seus negócios virarem poeira da noite para o dia, tiveram que aposentar suas ferramentas atrasadas, formaram fila nas portas das indústrias e começou a ser montado um exército de reserva que derrubava ainda mais o preço do trabalho físico. No início, máquinas eram quebradas em protestos de trabalhadores. Naquela época, grande quantidade de riqueza começou a se concentrar na nova classe de industriais, em detrimento da mão de obra barata que era explorada em condições desumanas.

Hoje em dia, o que se vê ? O desenvolvimento das telecomunicações fez com que a informação pudesse ser reproduzida e transportada a custos irrisórios, reduzindo seu custo marginal a praticamente zero. Redes de informações e de trabalhadores voluntários criaram estruturas que compartilham trabalho e o distribuem gratuitamente, forçando a indústria a reduzir os preços de produtos como CDs, DVDs, programas de computador, serviços de informações, música e coisas do gênero. Alguns modelos de negócio tiveram que ser completamente reinventados, sob pena de extinção. Da mesma forma, a renda de produtos e serviços de informação tende a se concentrar em poucos centros de inovação e produtividade que conseguem se manter na crista da onda e aproveitar a grande escala proporcionada pela globalização.

Nesse sentido, o trabalho intelectual deve sofrer uma redução NA MÉDIA de seu valor nos próximos anos em muitas áreas. Lógico que determinadas áreas e situações de extrema qualificação e posicionamento no mercado manterão ou até mesmo multiplicarão seu valor, conforme já foi comentado.

A grande diferença entre os dois momentos é o poder econômico dos grupos mais prejudicados nos períodos. Como se vê, os proletários do séc. XVIII e XIX e os barões da indústria eletrônica do Séc. XX e XXI não são exatamente parecidos. Isso talvez explica toda a lavagem cerebral midiática que tenta a qualquer custo incutir novos e estranhos valores em nossas mentes, para que consideremos como criminosos pessoas que apertam botões no teclado de um computador para escutar novamente uma música que acabou de escutar no rádio.

O proletariado teve que se adaptar aos novos tempos …

Esse post já está muito marxista pro meu gosto. Paro por aqui.

O mundo está ficando uma merda – Brasileiros deportados da Espanha.

7 Março, 2008

Relutei em escrever o tópico desse post. Afinal, é muito pessimista. Mas, diante dos acontecimentos na Espanha nos últimos dias não me restou muito otimismo. Depois da inadimissão da Física brasileira Patrícia Guimarães, dois outros estudantes, e outras dezenas de brasileiros e sul-americanos, foram “inadmitidos” no Aeroporto Internacional de Barajas. Os estudantes iam participar de congressos, carregavam trabalhos científicos, cartas de recomendação, recursos, e, mesmo assim, foram “inadmitidos” e tiveram que passar algumas dezenas de horas isolados em salas desconfortáveis sendo tratados como bandidos por policiais espanhóis. As autoridades espanholas alegam que os brasileiros não apresentaram a documentação exigida para entrada no país, de acordo com o Acordo Schengen. As exigências do bendito acordo são as seguintes:

- Passaporte com validade mínima de 6 meses

- Passagem nominal, intrasferível, com volta marcada ao país de procedência

- Comprovação de meios econômicos ( pelo menos 60 euros por dia de permanência por pessoa)

- Comprovante de pagamento de alojamento ou hotel pelo período total de permanência ou “carta-convite” original na qual é chamado a ir à Espanha. Essa Cartinha deve ser escrita em Delegacia de Polícia do Anfitrião.

- Seguro médico internacional pelo período total de permanência, com cobertura de pelo menos 30 mil euros em caso de doença, acidente ou repatriação, que cubra todo o território Schengen.

- Justificativa do motivo da viagem

Analisando os requisitos, me pergunto o seguinte:

- A cartinha então vai ter que ser enviada por correio antes pro sujeito que vai viajar ? Já que tem que ser original. Já pensou na burocracia pra pedir a famigerada cartinha, pro “anfitrião” ir a uma delegacia no país, redigir, passar no correio, enviar, você receber ?

- Se eu comprovei que tenho grana, pra quê eu tenho que comprovar reserva em hotel ou alojamento por período total da viagem ? Se eu quiser mudar de hotel, ou de roteiro no meio da viagem, como vai ser ? Vou ter que pagar uma reserva “só pra espanhol ver” ? Metade da graça da viagem, o inesperado e a surpresa, vai se perdendo no meio da ignorância e da burocracia.

- Com 60 Euros por dia eu tenho uma vida de rei na Europa. Já viajei gastando cerca de 35 euros por dia, há pouco tempo, e foi muito bom e confortável, sem privações, mas sem luxos. E olha que não fiquei em casa de parentes ou amigos. O mínimo de 30 euros por dia seria mais que razoável, principalmente para jovens estudantes. Essa medida é claramente discriminatória.

- Por justificativa da viagem, Será que valeria “Pra relaxar”, “Por que eu quis”, “Pra desopilar do trampo”, “Pra ampliar os horizontes”, “Para observar o modo de vida exótico do europeu médio” ? Esse é o tipo de pergunta ridícula. O famoso questionário com as opções Turismo, Negócios, Estudo e Outros (tratamento de saúde, etc) seria mais que suficiente. Se alguém quisesse entrar no país para cometer crimes obviamente não iria dizer no aeroporto.

Os estudantes barrados denunciam a existência de uma cota de, pasmem, LATINOS, para ingresso na ESPANHA! Autoridades brasileiras da embaixada e do Ministério das Relações Exteriores também consideram essa possibilidade. Dá pra acreditar? Imagine o caso: O senhor Esteban Hernandez González, funcionário da imigração do Aeroporto na Espanha, dizendo para a senhorita argentina Isabel Lopez González que ela não vai ser admitida no país dele porque a cota para pessoas da origem dela já está atingida. Lógico que ele não deve dizer a verdadeira razão da deportação para a senhorita Isabel. Mas ele sabe ! Isso é o que basta para a situação ser um absurdo. Aliás, a simples discriminação em razão de qualquer origem é odiosa. Quando a origem discriminada é a mesma do país discriminador é esquizofrênico! Daqui a pouco as pessoas vão ser discriminadas pelo tipo de dieta que praticam ou pelas cores preferidas.

Eu amo viajar. Estou percebendo que está cada vez mais difícil e burocrático fazer algo que eu tenho como estilo de vida e exercício de liberdade. Com essa nova realidade, se desejo viajar, passo a ser um suspeito, ter que prestar contas e ser vigiado em todos os meus passos. Gosto de andar de acordo com a lei. O simples fato de mudar de um albergue para outro por causa de um péssimo café da manhã, sem avisar as autoridades de imigração, pode me fazer sentir na clandestinidade durante minhas férias. Afinal de contas, as autoridades devem considerar muitíssimo suspeito não se hospedar no albergue reservado sem avisar! E ter que comunicar cada vez que alterar detalhes patéticos dos meus planos de viagem transformará a experiência num suplício. Será que vale a pena gastar dinheiro para experimentar isso?

Globalizem os Preços !

29 Outubro, 2007

Honda Fit:

No Brasil:                                             Nos EUA:

R$ 45.215 básico                                  R$24.412,50 com ABS e Air Bag

Fiat Uno no Brasil:

R$ 22.640,00 básico

Fala-se muito em globalização. Mas certas coisas ficam meio escondidas sem explicação. Por que cargas d’água um Honda Fit custa quase o dobro no Brasil do que custa nos Estados Unidos (Mesmo em Reais), se, um trabalhador médio brasileiro não recebe nem a metade do que um trabalhador médio americano recebe ? O Brasil é o país onde o Ipod custa mais caro no mundo (preço em dólares), e é um dos países com as tarifas de celulares mais caras do mundo, bem como de internet a banda larga, tv à cabo e passagens aéreas. Por que será ? Por que um trabalhador alemão ou francês, que ganha três vezes o que eu ganho, pra fazer a mesma coisa, pode comprar o mesmo produto mais barato que eu ? Se na economia globalizada a produtividade e lucratividade rompem fronteiras para acessar mercados, por que eles não cobram pelo menos o mesmo preço dos países mais ricos, onde eles já estão, já que eles ganham mais e podem pagar ? Tributos e tamanho do mercado não justificam, pois a carga tributária brasileira, infelizmente, é similar a de países desenvolvidos e o mercado brasileiro é um dos maiores do mundo.