Posts Tagged ‘Deportação’

Medidas Européias de Combate à Imigração Ilegal e Retaliação do Brasil

7 Março, 2008

A Europa tem problemas com a imigração ilegal, mas isso não é motivo para autoridades de Estado criarem políticas discriminatórias e patentemente ineficientes. Muito menos para acobertar maus tratos e desrespeito a Direitos Humanos. A falta de sensibilidade das autoridades também é um fator agravante, principalmente se dirigida a países que no passado não muito distante, serviram de destino para cidadãos europeus que enfrentavam dificuldades financeiras ou fugiam das aventuras bélicas de suas “nações-irmãs”. As exigências de entrada discriminam turistas normais, não imigrantes ilegais. Além disso, esses métodos têm se mostrado ineficazes contra quem deseja a qualquer custo imigrar para o continente. As principais vítimas de políticas desse tipo são os turistas de classe média, jovens e “minorias” como mulheres bonitas, negros e descendentes de índios. Além é claro, do relacionamento entre os países.

O Brasil pensa em retaliar. Acho que não devia. É pequena demais essa reação, não devemos tratar os outros como não queremos ser tratados e perderíamos importante receitas de turismo, de relacionamento cultural e científico, fatores importantes para um país como o nosso. A retaliação recíproca não atende ao legítimo interesse do país, apenas a um mimado e inseguro desejo de vingança. Nossa conduta deveria ser manter o melhor tratamento possível a turistas e imigrantes, que tanto trazem de bom para o país, e começar uma campanha de protesto contra esse tipo de discriminação absurda junto a organismos internacionais públicos e privados. O resto bem ou mal já está sendo feito. Deveríamos alertar oficialmente os brasileiros que pretendem viajar para a Europa, do tipo de riscos que correm, e da documentação exigida. Isso só já seria um desestímulo a viagens, e a redução de turistas já seria uma boa punição para a tola política européia. De quebra, economizaríamos divisas !

O mundo está ficando uma merda – Brasileiros deportados da Espanha.

7 Março, 2008

Relutei em escrever o tópico desse post. Afinal, é muito pessimista. Mas, diante dos acontecimentos na Espanha nos últimos dias não me restou muito otimismo. Depois da inadimissão da Física brasileira Patrícia Guimarães, dois outros estudantes, e outras dezenas de brasileiros e sul-americanos, foram “inadmitidos” no Aeroporto Internacional de Barajas. Os estudantes iam participar de congressos, carregavam trabalhos científicos, cartas de recomendação, recursos, e, mesmo assim, foram “inadmitidos” e tiveram que passar algumas dezenas de horas isolados em salas desconfortáveis sendo tratados como bandidos por policiais espanhóis. As autoridades espanholas alegam que os brasileiros não apresentaram a documentação exigida para entrada no país, de acordo com o Acordo Schengen. As exigências do bendito acordo são as seguintes:

- Passaporte com validade mínima de 6 meses

- Passagem nominal, intrasferível, com volta marcada ao país de procedência

- Comprovação de meios econômicos ( pelo menos 60 euros por dia de permanência por pessoa)

- Comprovante de pagamento de alojamento ou hotel pelo período total de permanência ou “carta-convite” original na qual é chamado a ir à Espanha. Essa Cartinha deve ser escrita em Delegacia de Polícia do Anfitrião.

- Seguro médico internacional pelo período total de permanência, com cobertura de pelo menos 30 mil euros em caso de doença, acidente ou repatriação, que cubra todo o território Schengen.

- Justificativa do motivo da viagem

Analisando os requisitos, me pergunto o seguinte:

- A cartinha então vai ter que ser enviada por correio antes pro sujeito que vai viajar ? Já que tem que ser original. Já pensou na burocracia pra pedir a famigerada cartinha, pro “anfitrião” ir a uma delegacia no país, redigir, passar no correio, enviar, você receber ?

- Se eu comprovei que tenho grana, pra quê eu tenho que comprovar reserva em hotel ou alojamento por período total da viagem ? Se eu quiser mudar de hotel, ou de roteiro no meio da viagem, como vai ser ? Vou ter que pagar uma reserva “só pra espanhol ver” ? Metade da graça da viagem, o inesperado e a surpresa, vai se perdendo no meio da ignorância e da burocracia.

- Com 60 Euros por dia eu tenho uma vida de rei na Europa. Já viajei gastando cerca de 35 euros por dia, há pouco tempo, e foi muito bom e confortável, sem privações, mas sem luxos. E olha que não fiquei em casa de parentes ou amigos. O mínimo de 30 euros por dia seria mais que razoável, principalmente para jovens estudantes. Essa medida é claramente discriminatória.

- Por justificativa da viagem, Será que valeria “Pra relaxar”, “Por que eu quis”, “Pra desopilar do trampo”, “Pra ampliar os horizontes”, “Para observar o modo de vida exótico do europeu médio” ? Esse é o tipo de pergunta ridícula. O famoso questionário com as opções Turismo, Negócios, Estudo e Outros (tratamento de saúde, etc) seria mais que suficiente. Se alguém quisesse entrar no país para cometer crimes obviamente não iria dizer no aeroporto.

Os estudantes barrados denunciam a existência de uma cota de, pasmem, LATINOS, para ingresso na ESPANHA! Autoridades brasileiras da embaixada e do Ministério das Relações Exteriores também consideram essa possibilidade. Dá pra acreditar? Imagine o caso: O senhor Esteban Hernandez González, funcionário da imigração do Aeroporto na Espanha, dizendo para a senhorita argentina Isabel Lopez González que ela não vai ser admitida no país dele porque a cota para pessoas da origem dela já está atingida. Lógico que ele não deve dizer a verdadeira razão da deportação para a senhorita Isabel. Mas ele sabe ! Isso é o que basta para a situação ser um absurdo. Aliás, a simples discriminação em razão de qualquer origem é odiosa. Quando a origem discriminada é a mesma do país discriminador é esquizofrênico! Daqui a pouco as pessoas vão ser discriminadas pelo tipo de dieta que praticam ou pelas cores preferidas.

Eu amo viajar. Estou percebendo que está cada vez mais difícil e burocrático fazer algo que eu tenho como estilo de vida e exercício de liberdade. Com essa nova realidade, se desejo viajar, passo a ser um suspeito, ter que prestar contas e ser vigiado em todos os meus passos. Gosto de andar de acordo com a lei. O simples fato de mudar de um albergue para outro por causa de um péssimo café da manhã, sem avisar as autoridades de imigração, pode me fazer sentir na clandestinidade durante minhas férias. Afinal de contas, as autoridades devem considerar muitíssimo suspeito não se hospedar no albergue reservado sem avisar! E ter que comunicar cada vez que alterar detalhes patéticos dos meus planos de viagem transformará a experiência num suplício. Será que vale a pena gastar dinheiro para experimentar isso?