Ainda estamos por aqui !

4 dezembro, 2011

Esse Blog foi meio que abandonado por um tempo. Coisas da vida. Voltarei a escrever aresias por aqui com mais frequência.


UBUNTU 10.04 – Primeiras impressões de um simples usuário

2 maio, 2010

A Canonical acaba de lançar mais uma versão de uma das mais amigáveis distribuições do Linux que conheço, o Ubuntu. Uso o Ubuntu desde 2006-2007. Acho fantástica a idéia de um sistema operacional aberto, flexível, seguro e gratuito. Aconselho totalmente quem gosta de computador a experimentar o Ubuntu para ter uma idéia do que já é possível fazer sem software proprietário.

Empolgado com a nova versão, uma LTS (Long Term Support), fui logo ao site, baixei o sistema e troquei minha versão anterior, a 9.04. Como já sou calejado em reinstalar o sistema, sei que sempre existem bugs e novos probleminhas que uma versão mais recente pode trazer, junto com suas novidades e melhorias. Rodei o sistema primeiro num pendrive, pra sentir o ambiente. Achei mais lento do que deveria ser, pelo fato de estar rodando em um pendrive, o que pode indicar que o sistema deve estar exigindo um pouco mais do hardware que a versão anterior. Mesmo assim, mandei brasa e instalei no HD. Tive os seguintes problemas (aqui só relato os problemas, não sei AINDA como resolver):

1- Ao contrário das vezes anteriores, dessa vez a instalação dava uma parada quando deixava a máquina de lado, sem uso. tive que ficar jogando ou navegando na internet para que a coisa andasse.

2- Em determinado momento, percebi que o programa de instalação ia buscar arquivos na internet sem minha autorização, o que deixou o processo mais lento. Como baixei o CD, imaginei que, como das vezes anteriores, teria ali todos os arquivos necessários. Isso foi particularmente irritante com os arquivos de idiomas. Quem tem uma conexão lenta de internet deve atentar a esse detalhe que pode atrasar bastante a conclusão da instalação. Pelo menos o programa disponibiliza um botãozinho de abortar os downloads, que pode passar despercebido aos incautos ou confundir os não iniciados com o cancelamento total da instalação depois de já formatadas as partições (opção pouco estimulante).

3- Depois de concluído o processo sem maiores problemas, o Ubuntu iniciou como uma bala. Muito rápido. Login feito, a velocidade não voltou a surpreender. O meu hardware não é nada possante (tenho bravos 640MB de RAM) mas isso tem sido suficiente pra rodar o ubuntu em suas versões anteriores com tranquilidade. Senti o sistema amarrado. A estabilidade, ao contrário do que ouvi de algumas pessoas, não deu problemas. Só reclamo da lentidão semi-paquidérmica.

4- Fui instalar programinhas básicos e tal. O Gimp não está mais lá por padrão. É fácil instalar, fui lá e fiz. O Google Earth simplesmente não instalou. O processo de instalação começava e no meio ia parando, parando, até atingir uma velocidade além da paciência humana, muito próxima da paralisia total. Passou-se mais de uma hora, e o danado do programa não terminava a instalação. Cancelei. Que eu saiba, o Google Earth demora uns 30, 40 segundos pra instalar, no máximo

5- O Skype simplesmente não funcionou. Não está mais no repositório habitual, e a versão da internet instala, mas não funciona. Diz que está corrompido e tal.

6- O botão do volume, que ficava perto do relógio, sumiu e precisa ser colocado lá manualmente, o que não é dificil, porém exige microsoftamente que se reinicie o computador (ou pelo menos o gnome) para que volte ao normal.

7- O Java não funciona direito, ou seja, páginas de banco, nem pensar. Tentei instalar como de costume e nada.

8- Mesmo após instalar os plugins multimídia habituais, não consegui ouvir som no Youtube, nem assistir vídeo no Vimeo.

Bom esse foi meu primeiro dia com o novo sistema. Essas foram as primeiras dificuldades. Creio que não sejam coisas muito difíceis de se resolver para quem é do ramo, mas o usuário mais pragmático e principiante pode certamente perder tempo com esses pormenores, coisa que certamente não deseja ou acha divertido, como eu as vezes acho. Conforme for resolvendo esses problemas, postarei as soluções.

Infelizmente, essa é uma característica do Ubuntu que vem se afirmando versão após versão. O sistema não sai redondinho do forno, como todos gostaríamos. Nenhum sistema sai, na verdade. Algumas coisas pioram. Mas eu concordo com o argumento que certas falhas básicas em um sistema recém lançado realmente são inexplicáveis e, se fossem em um sistema pago, seriam motivo de altas depreciações por parte dos iniciados. Mas é grátis, seguro, vamos colaborar pra melhorar, aprender e aproveitar.


Bolha Imobiliária em Brasília – Política de Governo

13 março, 2010

O mercado imobiliário em Brasília bateu todos os recordes em especulação no país nos últimos anos, para a satisfação de uma pequena classe de construtores, corretores imobiliários e antigos proprietários. Todo o restante da população assiste imóvel, à violenta transferência de seu patrimônio para a mão de especuladores, quando se submete à compra de um simples imóvel para viver, muitas vezes minúsculo,longe do trabalho e sem estrutura alguma.

Várias pessoas já escreveram na internet sobre valores absurdos dos imóveis,capacidade de financiamento incompatível mesmo com as rendas mais altas do Distrito Federal e outras provas cabais que ajudam a alertar os futuros compradores sobre a bolha especulativa. Concordo com todos os argumentos, mas não é disso que irei falar.

Meu foco é o papel do Estado – Governo Federal e Governo do Distrito Federal, no processo de privatização do espaço em Brasília e captura dos órgãos públicos responsáveis pelo planejamento urbano e oferta de imóveis na Capital Federal.

Todo terreno no Distrito Federal pertencia ao Estado. Inicialmente,para costruir e incentivar o desenvolvimento da cidade, foi criada uma empresa pública – a Novacap. A cidade foi construída e as primeiras moradias eram destinadas a funcionários públicos, que moravam de graça em apartamentos recém construídos, de acordo com a posição hierárquica e área do serviço público que se encontrassem. Até vinte anos após esse período de instalação, terrenos em áreas nobres da cidade eram comprados à preço de banana, pela baixa procura e grande vazio que dominava o cenário do DF.

Nos últimos vinte anos, no entando, o crescimento exponencial do DF inverteu drasticamente esse cenário. A Terracap, formada a partir de uma divisão da Novacap, ficou com a responsabilidade de vender e urbanizar as áreas públicas disponíveis – e ainda resta muita área pública. À Novacap, restou trabalhos de urbanismo e manutenção na cidade.

Desde então, o cenário é o seguinte: Uma grupo econômico formado por políticos e empresários ligados à contrução civil, tomou conta da estrutura estatal de planejamento urbano e venda de imóveis. Por tomar conta entenda-se se utilizar da estrutura pública para  a realização de ações que beneficiem, antes de tudo, seus próprios interesses, em detrimento do interesse público. Para mascarar essas ações de “interesse público”, é utilizada muita propaganda e são favorecidas outras pequenas classes, como as de antigos proprietários e corretores imobiliários.

A oferta de novas áreas é totalmente controlada por esses grupos. Dessa forma, o governo oferece novos terrenos de forma lenta e insuficiente, para criar uma sensação de ausência de oferta e desequilibrar o mercado. Os órgão públicos não respondem à pressão por novas áreas, natural e esperada, mas respondem eficientemente à agregação de valor em suas ofertas de áreas nobres, com conceitos ultramodernos de “sustentebilidade ambiental”, que de sustentável não tem nada e só serve para inflar os já absurdos valores dos imóveis da Capital.

Esse caso, do setor Noroeste, é um exemplo clássico da captura do estado ao interesse privado. O bairro foi concebido por um órgão estatal para ser um bairro “nobre” e de alta renda. Ora, como pode o Estado, deliberadamente agir no sentido de aumentar a especulação, concentrar a propriedade e segmentar espaço público. Em um regime capitalista saudável, sem captura do Estado, o mercado seria responsável por especular e segmentar espaços imobiliários. Ao governo não caberia interferir e caberia tão somente oferecer condições para que o espaço fosse oferecido a um maior número de beneficiários possível. Em um paradigma ligeiramente mais intervencionista, menos liberal, ao Estado caberia intervir para que os grupos sociais com maior déficit habitacional fossem beneficiados com a política, contribuindo assim para a diminuição  geral da demanda e, conseguentemente, da especulação e dos preços.

Dessa forma, embora o cenário da bolha imobiliária exista por vários fatores associados, a participação do estado na construção de privilégios e na execução de políticas regressivas concentradoras de renda aparece como fator de extrema importância na situação atual. Tal fato se deve à captura do governo por interesses privados de pequenos grupos econômicos.

Na próxima eleição, exija de seu candidato(a), medidas para diminuir a atuação desses grupos na oferta de áreas no DF, bem como cobre maior e urgente oferta de projetos voltados para pessoas com baixa renda (mesmo que você não tenha baixa renda, você irá se beneficiar com uma redução geral de preços e aumento da oferta relativa),e que não sejam projetos excludentes em áreas distantes e com má urbanização, como vem ocorrendo nos últimos vinte anos na Capital.


Aumento dos Servidores Públicos – Supersalários do Executivo

8 agosto, 2008

Fazia tempo que não postava. Somente uma novidade dessas pra me fazer voltar a ativa. O governo federal deve encaminhar nos próximos dias, duas medidas provisórias (que mais tarde se converterão em Lei), aumentando os salários de uma série de carreiras do Poder Executivo, consideradas “tíipicas de estado”. Os valores oscilam entre 18 e 19 mil reais iniciais.

Esse assunto é extenso, complexo e cansativo. Um post abrangente e completo sobre esse assunto seria muito chato, e eu correria o risco de distrair e dividir muitas opiniões em filigramas inúteis e secundários, para alegria de nossos algozes. Pulemos as partes chatas, e vamos aos fatos e a algumas perguntas e opiniões. O efeito na cabeça do leitor inteligente será praticamente o mesmo.

Nosso país é um país em desenvolvimento, com índices de desenvolvimento humano subsaarianos em determinadas regiões, população pobre, com um déficit educacional secular astronômico e com uma gigantesca carência por investimentos em infra estrutura. Precisamos de transportes urbanos, estradas melhores, ferrovias, malha aérea moderna, portos, controle de fronteiras, forças armadas decentemente equipadas, segurança urbana, ordenamento urbano (ruas asfaltadas, amplas, bairros bem planejados, com calçadas, postes, pontos de ônibus, estacionamentos, etc), reforma agrária, desenvolvimento tecnológico, escolas de qualidade, sistemas eficientes de gestão pública, creches, alimentos nutritivos a preços baixos, hospitais decentes, para dizer o mínimo. Isso é o que me parece ser o mais urgente.

Um médico de hospital público ganha uma mixaria, e não será contemplado em nenhuma das MP’s. Um professor de escola pública recebe uma remuneração humilhante, e também não foi agraciado com reajuste (no caso deles, quase não conseguiram obter o piso de 950 reais recentemente). Os profissionais que constroem e projetam portos, rodovias e aeroportos, ou pertencem à iniciativa privada, e realizam os serviços por terceirização, ou recebem salários ridículos em órgãos sucateados da administração.

Quem ganha bem nesse país ? O Poder Judiciário ( O Brasil precisa, prioritáriamente, de mais judiciário ?) o Legislativo ( O Brasil precisa de mais ou de menos legislativo ? ) ou categorias como Diplomatas e Analistas de Comércio Exterior, Auditores da Receita (O Brasil precisa, prioritariamente, de auditores e diplomatas mais bem pagos, ou de mais auditores e mais diplomatas ?). E é justamente esse pessoal que agora pressiona para ganhar um salário ainda melhor.

Em economia existe um conceito básico chamado “custo de oportunidade”. Em linhas gerais significa o seguinte: Você tem dois reais. Uma maça custa dois reais. Uma laranja custa dois reais. Se você comprar uma maça, não poderá comprar também uma laranja, e vice-versa. O custo de oportunidade ao comprar uma laranja, é uma maça, pois os recursos são escassos, apenas dois reais. Transferindo o exemplo para o nosso caso, o custo de oportunidade de aumentar salários para funcionários públicos em setores não prioritários para o país no momento, e que já recebem uma remuneração muito boa, nos custa abdicar de nossas prioridades. Forças políticas poderosas atuam para fazer parecer o contrário, ou para não parecer importante esse tipo de escolha de como gastar os recursos, porque são exatamente elas as beneficiadas.

O fato é que atualmente, o serviço público brasileiro, além de não atender as necessidades da população, e, via de regra, prestar PÉSSIMOS serviços, custa à sociedade uma fortuna. Constitui, por sí só, uma classe auto-referida, que tem uma visão distorcida da realidade brasileira (especialmente os que residem em Brasília), e que visa tão somente aumentar os próprios benefícios numa corrida insana de ganância para ver quem estoura mais os cofres públicos com seus orçamentos gigantescos e privilégios travestidos com palavras doces como conquistas e direitos.

Depois dos juros e da previdência, o gasto com pessoal é o que mais pesa no orçamento público. Dessa forma é imprescindível para o país saber administrar suas despesas com pessoal, se quiser que sobre dinheiro para fazer o que realmente interessa. Esse país não é formado de servidores públicos. A esmagadora maioria trabalha na iniciativa privada e espera ansiosamente por serviços decentes em retribuição aos impostos extorsivos.

Definir prioridades e estabelecer metas e estratégias nunca foi o forte do estado brasileiro, salvo exceções vergonhosas. Enquanto isso for verdade, continuaremos sendo um país atrasado, injusto e caótico, sem perspectiva de dias realmente melhores para a sua maioria. Já para alguns poucos, certamente, dias melhores virão, com as novas MP’s.

Voltarei a falar desse assunto


Positivo V52 – Barulho do Cooler – Uso em bibliotecas

5 maio, 2008

Tenho um Laptop Positivo V52. Até o momento tenho usado o note sem problemas maiores, e considero uma boa compra, com excelente relação custo/benefífico. No entanto, só a poucos dias pude notar um defeito: o barulho do cooler é muito irritante em ambientes de silenciosos como bibliotecas. Em algumas, os frequentadores são bem zelosos desse silêncio e se incomodam ao menor ruído. Nesses casos, o uso do V52 chega a ser constrangedor.

Fui a uma biblioteca onde estavam aproximadamente vinte laptops ligados e só podia escutar o barulho do meu. Não conheço solução para o problema. Procurei na internet e a única luz foi uma extração de uma tela plástica que misteriosamente cobre as ventoninhas na parte de baixo da máquina. Não tive coragem de experimentar isso, pois o note ainda está na gerantia e além do mais, várias pessoas já disseram que não tinha resolvido, somente atenuado o problema. Gostaria de saber se trocando o cooler por outro mais silencioso isso não se resolveria. Ou senão se não tem como configurar o cooler para uma velocidade constante, sem oscilações.

O que mais irrita não é o barulho em si, mas a alternância da velocidade do cooler, que oscila bastante, num barulho que se assemelha a um secador de cabelo. Em casa ou em ambientes normais, como salas de aula ou lanchonetes o problema não é tão aparente. No entanto, no silêncio de uma biblioteca comum, onde geralmente qualquer coisa prejudica a concentração, aí sim, definitivamente, isso incomoda muito. Principalmente a sensação e poder estar incomodando outras pessoas ou de alguém vir lhe pedir pra desligar o note ou coisa parecida.

Quem tiver alguma sugestão e como resolver esse problema para esse modelo específico ou pra qualquer outro, deixem um comentário salvador !


Wireless conecta mas cai após um tempo – resolução – Roteador D-Link DI-524 – Mudança de canal – Rede local

4 maio, 2008

Hardware: Roteador D-link DI-524

Problema:

Rede wireless conecta e navega na internet sem problemas por aproximadamente 15 a 20 minutos. De repente, mesmo ainda conectado, não se navega mais pela internet nem pela rede interna.

Teoria:

Provavelmente existe uma outra rede wireless próxima a sua com o mesmo canal ( channel ). Eventualmente isso gera uma confusão de razões deliberadamente desconhecidas e aí a conexão se perde.

Solução:

Acessar as configurações do roteador, a partir do browser, pelo endereço http://192.168.0.1, conforme instruções do manual. Na parte correspondente à configuração wireless, modificar o numero do canal (channel) configurável de 1 à 11. Supõe-se que a maioria das pessoas mantenha o canal com o número 1, gerando esse tipo de problema. No meu caso, o problema foi totalmente resolvido.


Lula é vaiado – Genuína manifestação das massas. Serra é vaiado – deprimente manifestação de desordeiros.

28 abril, 2008

Impressionante a parcialidade da imprensa de Pindorama. Lula foi vaiado por uma claque do César Maia no Pan, horas depois a cena era exibida à exaustão como manifestação da insatisfação “popular” e da “irreverência”, “independência” e “desaprovação” do povo carioca.

Agora, em evento público no estado de São Paulo, reduto do PSDB, Lula é ovacionado e o Serra é humilhado, provavelmente por uma claque petista. No entanto, a vaia do governador do mais importante estado do país e principal candidato à sucessão presidencial parece não ser tão importante, sendo exibida como uma mal-educada manifestação de desordeiros. Parece que aos paulistas não são permitidos arroubos de irreverência e legítima aprovação.

No mesmo evento, o presidente falou que não ia ser um presidente que iria resolver os problemas do país, ou de uma cidade, mas eram necessários vários políticos comprometidos com o país em sequência para que os problemas sejam efetivamente combatidos. No entanto, a imprensa chapa-preta estampa em seus jornais e sites que Lula diz que oito anos não são suficientes para resolver os problemas do país, querendo fazer parecer ao leitor desavisado que o presidente flerta com um terceiro mandato. É desanimador ler esse tipo de jornalismo sensacionalista, distorcido e descomprometido com a verdade. Pior que já sabem que esse tipo de mentira ridícula não cola mais e a população já sabe identificar essas farsas, mas certamente ainda existe quem pague para que escroques continuem a escrever e publicar esse tipo de coisa.


Raposa Serra do Sol – Livres impressões

19 abril, 2008

A Reserva Raposa Serra do Sol foi homologada em 2005, pelo presidente Lula. O início do processo de homologação da reserva se deu no governo Fernando Henrique, quando o Ministro da Justiça era o Nelson Jobim, atual ministro da defesa, portanto chefe do general Heleno, atual comandante do Exército brasileiro na Amazônia. Índios da região lutam pela homologação da reserva há cerca de 30 anos. Grileiros tomaram conta de parte das terras indígenas nesse período e iniciaram atividades agrícolas, principalmente arroz.

Em 1988, a Constituição Federal é promulgada e garante aos indíos a posse de seus territórios. Durante o processo de homologação, foi dada oportunidade para instituições e pessoas que se sentissem prejudicadas participassem do procedimento judicial, como foi feito. Décadas se passaram até que a homologação saísse. Em 2005, o Lula homologa a reserva de forma contínua, como queriam os índios, e não em forma de ilhas como previa o plano do governo anterior. Esse ato foi fundamental nas razões do conflito atual. Em todos os casos planejados, áreas foram destinadas para a instalação de bases de vigilância do Exército, fato muito pouco informado até o momento. Agora, depois de discutido o caso na justiça e perdido em juízo, da forma legal, conforme prevê a nossa constituição, os agricultores não se conformam da decisão de desocupação da área e se negam a cumpri-la, inclusive com suspeitas de atos de insurgência apoiados por indivíduos ligados ao Exército.

Tradicionalmente, a região foi colonizada, além de outros grupos, por descendentes de militares, principalmente gaúchos, que iam transferidos à trabalho e por lá permaneciam. Por isso e por ser uma das únicas instituições do estado brasileiro com presença efetiva na região, a população branca do lugar e o Exército possuem um forte relacionamento.

O medo de perder a Amazônia para estrangeiros sempre foi uma constante no imaginário do Exército brasileiro. Pelo tamanho, riqueza e complexidade, a região assusta aqueles cuja incumbência fundamental é garantir a soberania brasileira. Tal sentimento potencializa o temor e favorece a criação de correntes de pensamento um tanto quanto paranóicas com a invasão estrangeira, dentro do exército. As correntes paranóicas possuem nesse caso interesses semelhantes aos dos arrozeiros com quem se aliam, favorecidas pelos laços de décadas de relacionamento sozinhos na selva. A diferença cultural entre os indígenas da região, os agricultores gaúchos e os militares também favorece a aliança entre os últimos e o estranhamento em relação aos primeiros. Importante ressaltar a nobre motivação, embora discutível conduta, tanto dos arrozeiros como do exército na defesa de suas posições.

A participação de organizações não governamentais com origem estrangeira contribui ainda mais para alimentar as suspeitas dos militares da corrente paranóica. A política de comunicação do exército prega o excelente relacionamento entre a instituição e indígenas, mas a instituição expõe, nesse caso particular, as deficiências de tal relacionamento. O exército orgulha-se de manter em seus quadros na região grande quantidade de indígenas, o que é um fato. No entanto, os indígenas ocupam posições subalternas na instituição, não figurando com a mesma frequência entre os oficiais superiores e generais. Dessa forma, as decisões importantes da instituição não são representativas dos interesses indígenas da região, que continuam a ser vistos, assim como sua posição dentro da corporação, como brasileiros de segunda classe, ou até mesmo como estrangeiros, ou supostos subversivos interessados em obter parte do território nacional para formar seu próprio país a partir de seu povo e sua cultura tão supostamente distintas da reconhecida pelo oficiais do exército como a “cultura brasileira”. A questão da “raça”, cultura e o preconceito, são pois, fatores essenciais para a compreensão do conflito.

A insatisfação com a reserva contínua e o receito de dificuldades em entrar oficialmente na área após a homologação expõem na realidade o mal relacionamento da instituição com os alguns grupos indígenas locais. Fator que deveria ter sido esclarecido e resolvido no momento do ato da homologação em 2005. Provavelmente o relacionamento gélido entre o Presidente, o Exército e alguns grupos indígenas contribuíram significativamente para o desastre anunciado. Prova da imaturidade de todas as partes envolvidas e da não superação do processo de abertura política desde o fim da ditadura em 1984-1985.

O Exército desde o início mostrou-se contrário a homologação. No entanto, após todos os trâmites legais, inclusive os preparativos da execução, como não viu seu ponto de vista privilegiado, agora se manifesta de forma mais agressiva contra a homologação. Isso levanta a questão de até que ponto se tem Estado de Direito no País. É como se a lei e a constituição só servissem se atendessem aos interesses da caserna. O Exército usa como argumento o supremo direito de preservar a ordem constitucional. Ocorre que o faz justamente á revelia de garantias que a própria constituição, que jura defender, prevê. Ameaçam ,através de entidades supostamente representativas, passar por cima do devido processo legal, da autoridade do Presidente da República e de seus ministros, do Judiciário, da Polícia Federal, dos direitos dos indígenas e da soberania das sentenças judiciais, todos também previstos na constituição, em razão de uma ainda não devidamente comprovada ofensa a um outro preceito constitucional, a soberania territorial brasileira.

Como já é costume nos últimos anos, armada uma situação de conflito de qualquer grupo com o governo, e com o exército não ia ser diferente, forças políticas de oposição internas movem-se agilmente no sentido de aumentar, potencializar ainda mais o conflito, dando ares de séria crise institucional e de até de governabilidade, se possível. Qualquer coisa é motivo para o mais indignado e inflamado discurso supostamente nacionalista e cheios de adjetivos agradáveis aos ouvidos castristas, evocadores do brio militar e da nobre missão de defender a pátria dos “entreguistas” e de outros “istas” famosos. Os oportunistas se aliam rapidamente com os militares, esquecem as antigas acusações de que os militares ganhavam muito e faziam pouco e o desprezo pelo chamado “interesse nacional” tão caro aos militares e tão barato à certos partidos de oposição e veículos de imprensa, e juram agora serem amigos de infância. Enquanto isso, com palavras retiradas do baú, copiadas de jornais velhos, militares aposentados se levantam da frente de seus sofás e vão para a velha máquina de escrever, pegam o telefone e ligam para aqueles amigos mais “modernos” que ainda se encontram na ativa, para pedir informações e se sentirem um pouco vivos, e terem enfim um pouco de sentido e ação na vida entediada de militar aposentado em regime democrático sem conflito militar à vista.


Nacionalismo e patriotismo: como usar esses conceitos a seu favor em qualquer situação e parecer inteligente.

19 abril, 2008

Vez por outra um indivíduo aparece na televisão ou na imprensa escrita defendendo posições “nacionalistas” ou “patrióticas”. Esse post não vai falar dessas pessoas. Dependendo do espectro ideológico do sujeito e da mídia, é massacrado ou execrado. O núcleo de seus argumentos não costuma importar muito.

O importante nesse caso são as reações que exaltam ou ridicularizam os conceitos, dependendo de para onde o vento sopra no dia, se para a esquerda, ou para direita. Importante também é reconhecer essas escorregadas e identificar suas origens contumazes. Infelizmente, nos últimos anos, no Brasil, assiste-se a uma polarização ideológica, que gera pérolas deprimentes.

Um famoso colunista de uma famosa revista nacional, certa vez, entrevistou um famoso escritor e jornalista que admiro. Trocavam afagos e se identificavam efusivamente em valores e ideais, exalando sofisticação e inteligência, ironizando os pobres e ignorantes mortais que não pensavam como eles. Perguntou o entrevistador ao entrevistado:

Colunista – Você endossaria a frase do Samuel Johnson de que o patriotismo é o último refúgio do canalha?
Entrevistado – Sem nenhuma dúvida. Qualquer tipo de fidelidade que passa na frente do foro íntimo é, para mim, a definição do mal.

Colunista – É a destruição do indivíduo.
Entrevistado – Exatamente. Porque, quando isso acontece, aí tudo é permitido. No fundo, a única coisa que coloca limites ao horror, para mim, é o foro íntimo. Eu digo que é o mal porque é a definição do mal do século 20, que deu no fascismo, no nazismo, no stalinismo, em
Pol Pot.”

Quem teve acesso a entrevista, pôde comprovar que tem trechos geniais, e muitos dos conceitos pregados como a defesa dos direitos do indivíduo perante à coletividade e o estado são simpáticos ao bom senso. A manipulação não fica tão clara vista isoladamente. O pulo do gato do leitor safo, é comparar como os mesmos conceitos foram usados pelo mesmo colunista, em situações diferentes.

Essa semana, a direita brasileira veio à forra e ao delírio com as declarações do ilustre general Heleno, que diga-se de passagem tem minha boa-fé pelo trabalho já realizado. Por enquanto, só por isso.

O discurso do general, do clube militar e de seus apoiadores é repleto de expressões do tipo “interesse nacional”, símbolo do pensamento nacionailsta. O cerne do argumento contra a demarcação da reserva indígena é a dificuldade de penetração do exército na região para preservar a soberania e o isolamento da área provocado pela ausência de ações de colonização por não-índios.

Eu não vou me alongar na opinião sobre a demarcação da reserva agora. Faço isso em outro post, se ainda tiver clima. Digo apenas que sou parcialmente simpático à opinião do exército, embora discorde veementemente da maneira excêntrica que a instituição tem de expô-la. Por que será que só os lunáticos se destacam nessa hora, geralmente de pijama, para defender interesses legítimos de maneira cretina ?

Comentando o fato, o nobre colunista, muito pouco afeito ao governo, expôs o cofrinho, mas com a categoria que lhe é peculiar:

” Quanto tempo vai demorar para aparecer algum artigo irado na imprensa acusando de “vivandeiras” e “lacerdistas” aqueles que deram seu apoio ao general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia? Deixe-me ver… Talvez 24 horas. Com certeza, 48.”

“Heleno deu uma aula no Clube Militar, cuja existência é legal, e falou aquilo que todos sabiam ser o seu pensamento.”

“O Clube da Aeronáutica reforçou a reação de militares à repreensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. O general Heleno criticou a política indigenista do governo federal. O presidente do clube, tenente-brigadeiro da Aeronáutica Ivan Frota, afirmou, em nota, que “o país conhecerá o maior movimento de solidariedade militar” caso as repreensões continuem”.”

Nesse último trecho, a cartilha jornalística é minuciosamente respeitada. Nada de opiniões, juízos de valor ou adjetivos engraçadinhos, tão característicos ao nobre colunista. Só relato frio e ordenado dos fatos. Nenhum comentário ao teor do discurso é feito. Passa-se a idéia de não comprometimento do colunista com o discurso. Nem precisa, só pegar carona nele já é suficiente. É aberto espaço de destaque para a inflamada manifestação de um cidadão acostumado a inflamadas bravatas supostamente nacionalistas sobre qualquer coisa, e saudoso de tempos não muito nobres de nossa história.

Em nenhum momento o colunista usa termos como “interesse nacional”, “soberania nacional”, ou coisas do gênero. É profisisonal. Só iniciados conseguem identificar incoerência entre execrar ironicamente o patriotismo como “último refúgio do canalha” e depois, por interesse político, elogiar e defender posições e grupos sociais motivados primordialmente por ideais supostamente patrióticos.

Sugiro ao leitor tentar adivinhar que interesses que existem em comum entre os dois pensamentos que, mesmo discordando do tema patriotismo, ignoram totalmente esses “detalhes sem importância” para se unirem em outro momento patético do nosso querido e sofrido país. Tudo isso me faz lembrar que, mesmo com investment grade no Japão, matéria na “The Economist” nos chamando de potência e crescimento acima de 5%, ainda somos o velho e bom vizinho do Paraguai.


Patriotismo Pragmático

19 abril, 2008

Antes de escrever sobre temas polêmicos, gosto de entregar de bandeja aos meus três ou quatro leitores minha opinião, pra que não precisem ficar pescando sutilezas no meu discurso pra tentar adivinhar, como em certos lugares, correndo o risco de transferir para mim suas próprias opiniões inconscientes.

Eu me considero saudávelmente patriota, com uma leve e pragmática dose de nacionalismo. Sim, pois patriotismo e nacionalismo, são coisas diferentes. Não me iludo, embora preserve esperanças, imagninando que o mundo é constituído de povos amigos dispostos a nos ajudar. Desde sua origem (principalmente na sua origem), o velho Brasil sempre sofreu na mão de povinhos malandros, e até hoje paga bem caro por isso. Toda a tão falada malandragem brasileira, na minha opinião, é uma defesa individual inconsciente do papel de otário internacional ao qual a nata da malandragem mundial (e nacional também) nos relegou por séculos.