Brasileiros barrados na Europa – Desculpas esfarrapadas deixam escapar a verdade

11 março, 2008

As recentes deportações e “inadmissões” de brasileiros na Europa têm suscitado manifestações de repulsa e indignação no Brasil, mas também a defesa e justificação da atitude das autoridades européias. Na defesa do comportamento da imigração européia, pode-se tirar importante lição sobre o funcionamento do sistema de relações internacionais, que nada tem de moderno.

Um dos argumentos mais comuns de quem acha justificável e correto o endurecimento das regras de entrada é o de que os imigrantes “ilegais” não estão conseguindo mais ser absorvidos pela economia européia, e isso traria o aumento do desemprego e de custos como saúde e assistência social. Os imigrantes excessivos também são responsabilizados pelo inchaço das grandes cidades, carestia do mercado imobiliário e aumento da violência urbana.

Seguindo essa linha de raciocínio, o arrocho nas fronteiras de imigração seria uma política necessária, evitando a entrada de novos imigrantes. Um dos meios mais comuns de entrada de imigrantes ilegais seria o aeroporto, passando-se por turista comum. Dessa forma, o aumento no rigor do controle de documentação do turista levaria a um menor número de imigrantes ilegais que adentram ao país.

Ocorre que, na realidade, os imigrantes são proporcionalmente mais responsáveis pelo crescimento da economia européia nos últimos anos que os próprios europeus. E o velho mundo necessita da força de trabalho estrangeira se deseja manter níveis razoáveis de crescimento que sustentem a atual força de trabalho que vai se aposentar em breve. Além disso, o trabalho do imigrante hoje paga impostos e a previdência que garante confortável aposentadoria aos velhos eleitores da direita xenófoba.

Não bastasse isso, o velho continente se mostra prepotende e autocentrado, e se comporta como se fosse a única região do mundo onde existe desemprego e inchaço das grandes cidades. Como se seu modelo colonial violentamente imposto ao resto do mundo nos últimos três séculos não tivesse nenhuma responsabilidade pela situação dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que hoje exportam a força de trabalho excedente, muitas vezes descendente do próprio povo europeu, como mesmos sobrenomes e antepassados. A Europa deseja o Bônus, e rejeita o Ônus.

Á primeira vista me parece bem previsível que a Europa tente maximizar suas vantagens e reduzir as suas desvantagens, explorando regiões menos desenvolvidas tecnologicamente. Imoral, mas as relações de poder no sistema internacional costumam ser amorais. O que não me parece razoável, é ver cidadãos, intelectuais e autoridades dos países submetidos absorverem o discurso do explorador. Parece que estamos sempre prontos para compreender as razões pelas quais nossos patrões não podem nos dar aumento, por mais absurdas que pareçam. Afinal de contas, eles precisam manter seus privilégios globais. O que não percebemos é que, a menos que trabalhemos diretamente para algum “Think Tank” europeu de plantão, eles não são mais nossos patrões, e somos livres para sabotar esse discurso, e não reforçá-lo e passá-lo adiante.

O mundo passa por dificuldades comuns. Lugares mais prósperos tendem a atrair mais pessoas em busca de melhor qualidade de vida. Sempre foi assim, não é uma novidade. No passado nosso país recebeu levas e mais levas de espanhóis, portugueses, italianos, alemães, poloneses, russos, irlandeses, franceses, ingleses, ucranianos, enfim, europeus que em algum momento da história acharam mais vantajoso emigrar para o Brasil que permanecer em suas pátrias. É o preço que se paga pela prosperidade no mundo global. O Brasil, por exemplo, mesmo com toda sorte de problemas sociais e econômicos ainda recebe imigrantes da África, Oriente médio e América Latina, que concorrem com a mão de obra nacional de regiões mais pobres, e não precisa colocar pessoas em celas por dias, privá-las de conforto mínimo, nem agredir sua cultura e seus países.

Enfim, podem chorar à vontade suas mazelas sociais europeus. Mas por aqui as coisas vão bem pior que por aí, e temos mais o que fazer que dar a vocês algum tipo de preferência, ou prioridade, ou compreensão, em detrimento da exigência de um necessário tratamento igualitário em nossas relações internacionais. Não há motivos para sermos diferentes.

3 Respostas to “Brasileiros barrados na Europa – Desculpas esfarrapadas deixam escapar a verdade”

  1. Ivan Says:

    pls entrar em contato: ivan_prq@hotmail.com
    abs

  2. Leonardo Says:

    Relato do meu repatriamento da Europa
    No dia 25 de novembro embarquei no vôo AF443 que decolou do Rio de Janeiro às 16:50, chegando a Paris às 08:30 (horário local) do dia 26. Tudo transcorreu tranquilamente até o momento de mostrar meu passaporte, brasileiro, a dois policiais da imigração que revistaram minha mochila, tratamento não dispensado aos portadores de passaporte europeu. Mas o pior ainda estava por vir.
    Antes de continuar minha narrativa gostaria de ressaltar que sou médico veterinário, com mestrado pela Universidade Federal Fluminense e funcionário público.
    Assim que mostrei a documentação que me foi solicitada para entrada na França, fui imediatamente retido sendo conduzido uma espécie de repartição dentro do aeroporto onde um policial recolheu meu dinheiro e documentos. Começaram então a me fazer várias perguntas, sem que eu entendesse direito, de maneira extremamente rude e sem a presença de nenhum intérprete para mediar o interrogatório. Em suma, fiquei das 08:30 até as 16:00 retido, sem água e sem comida, até ser levado juntamente com outros brasileiros que haviam sido retidos naquele dia a outra sala, onde finalmente apareceu uma tradutora portuguesa para explicar o que já havia sido decidido. Ela me informou que o atestado que eu possuía com o endereço da pessoa em cuja residência eu ficaria hospedado assim como a cópia da sua identidade não eram oficiais e que eu voltaria para o Brasil no vôo AF442 do mesmo dia que decolaria de Paris às 23:15.
    Recusei-me a assinar o documento que me foi apresentado, porque ele havia sido preenchido sem a presença de um(a) intérprete, e mesmo após a chegada desta, ela não me explicou o estava escrito nesse documento, apenas me informou que eu seria embarcado de volta para o Brasil naquela mesma noite. Soube depois que só providenciaram a presença de uma intérprete, mesmo tardiamente, porque meu amigo que estava a minha espera no aeroporto conseguiu, após muito custo, conversar com alguns policiais e cobrar deles a presença de um(a) intérprete tendo em vista que eu não falo francês e o meu nível de inglês é básico. Ela também omitiu o fato que em um dos formulários que queriam que eu assinasse havia a possibilidade de me recusar a embarcar na mesma noite, prolongando minha estada por mais 24 horas.
    Somente após o meu retorno ao Brasil descobri que haviam preenchido, sem meu conhecimento/consentimento a opção de repatriação imediata. Entre outras irregularidades também “negligenciaram” o preenchimento dos campos que informavam minha profissão, os cartões de crédito que apresentei à polícia e outras informações que não foram preenchidas porque não foi informado, e durante tal procedimento não tive a assistência de um(a) intérprete, ressaltando que os formulários de repatriação foram preenchidos pela polícia sem que eu soubesse do que se tratavam as informações nele contidas, tendo em vista que não falo francês e, mais uma vez, não tive a presença de ninguém que intermediasse a comunicação entre mim e a polícia, nem me explicasse sobre o que se tratavam os formulários que queriam que eu assinasse. Só descobri sobre o que se tratavam as informações contidas em tais formulários após o meu retorno ao Brasil, onde pude ter acesso a alguém que traduzisse para mim o que estava escrito neles.
    Depois disso tudo fomos levados para uma espécie de mini-presídio onde nos foi servida a primeira refeição do dia às 19:00. Em seguida devolveram o meu dinheiro e recolheram minha câmera fotográfica e a bateria do meu celular. Logo depois nos forneceram toalhas, escovas de dente e um cartão para que pudéssemos fazer uma ligação. Mais tarde voltamos para o aeroporto onde ficamos presos numa espécie de cela até o horário de embarcar, quando aproximadamente 15 policiais nos escoltaram por todo o setor de embarque até a porta do avião.
    Não bastando toda essa humilhação, meu passaporte ficou retido com o comandante do vôo e ao chegar ao Brasil forma entregues a um funcionário da empresa aérea que nos levou até a polícia federal.
    O mais difícil e humilhante de tudo isso é que me senti como um criminoso de alta periculosidade.
    Um europeu entra no Brasil e é super bem tratado, já para um turista sul-americano entrar na Europa é uma grande dificuldade. Onde está a lei de reciprocidade nisso tudo?

  3. Cezar Says:

    Imigração e multiculturalismo estão destruindo a europa. Sou português e, só um europeu sabe o que são as hordas de muçulmanos rezando nas ruas do meu querido país. Graças à essa DETESTAVEL política esquerdista liberal de ”tolerancia” hoje existe mais segregação e racismo na europa do que em qualquer lugar do mundo.

    Muitas empresas se recusam a contratar imigrantes, para pelo menos TENTAR amenizar a invasão, mas infelizmente não parece estar dando certo… Ao menos talvez a crise mande para casa os imigrantes violentos e mal educados. Vivo em um bairro co alta proporção de imigrantes e meu filho, de 12 anos já foi violentamente agredido por africanos.

    POR UMA EUROPA EUROPÉIA!!!


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